Capítulo 54
POV. Lua.
― Ai Arthur, isso faz cosquinha. ― Gargalhei retraindo a barriga diversas vezes. Ele desenhava por toda a minha barriga com uma canetinha preta. Estávamos deitados em nossa cama. Sim, nossa cama, nosso quarto, nosso lar.
― Estou deixando a sua barriga descolada….
| — | Tati Bernardi. (via realidade-oculta) |
| — | Caio Augusto Leite. (via realidade-oculta) |
| — | Clarissa Corrêa. (via realidade-oculta) |
Repórter: Você ficaria com alguém sem braço ou sem perna?
Katy Perry: Claro, já fiquei até com gente sem coração.
O que faz um dia ser diferente dos demais? Essa pergunta me faço todos os dias pela manhã. Durante minhas atividades matinais, fico pensando como será o amanhã. Mas um dia acordei sem essa pergunta impertinente, fiz minhas atividades matinais como sempre e fui para a parada esperar o ônibus, o vento do frio do fim do outono, assobiava entre aquelas velhas árvores e batiam no meu rosto como se fossem alfinetes dissolvidos no ar. Logo após essas observações, ouvi um som vago no ar, intermitente de forma gradativa, depois de um tempo, surge então entre as coxilhas o ônibus que todo dia pego para ir à escola. Ao abrir a porta, o motorista sorri, e me deseja bom dia, sem conversar muito, me dirijo ao fundo do ônibus onde me acomodo num dos vários bancos desocupados e coloco meus fones para ouvir uma música e tentar tirar aquela cara de sono.
Depois de um determinado tempo, o ônibus chega ao local em que desço, eu me dirijo até a porta e puxo a campainha para sinalizar minha parada. Os primeiros passos da manha, ainda bambos se deparam com o barulho vago dos automóveis, a cidade está recém se acordando e eu volto a pensar na minha amada, em como será mais um dia sem ela, em tela tão perto e ao mesmo tempo distante. Uma antítese emocional, sendo amortecida pelo eufemismo do cérebro. O sobro do minuano pela manha atravessava entre os prédios e construções fazendo um assobio, dando uma sensação de frio. Logo observei à hora, concluindo que já estava meio atrasado, ao passar perto de sua casa, olhei para todos os lados da encruzilhada, com a esperança de vê-la. Entretanto apenas vi um fusca dobrando na esquina, e um velho limpando a calçada.
Ao chegar à escola, o guarda já estava fechando o portão, eu sinalizei com os braços, que iria assistir à aula naquela manha, ele meio duvidoso me deixo eu entrar, com ar satírico ele disse:
- É melhor organizar seu tempo rapaz! Para não perder seus compromissos.
Não dei muita atenção, pois minha cabeça estava num mundo surreal, onde a dor do coração não existe e a anarquia vigora de maneira pacífica e silenciosa. Ao rotacionar a maçaneta e entrar na sala deram-se aquele silêncio e todos voltaram a sua atenção a minha entrada, sentei no fundo, perto de uma janela onde fiquei todo o primeiro período, observando a bela dança da fumaça entre as correntes de ar, numa casa de família humilde que mora nas proximidades, ora eu prestava a atenção na aula ora voltava para aquele mundo, nas profundezas das idealizações do meu cérebro, onde o foco principal era minha querida Vanessa.
Ao soar do alarme para o intervalo, ali fiquei, sentado, vendo as folhas se desprenderem das árvores e se acumularem no solo ao som do Bonde da Stronda e nesse ritmo pulsava nas minhas veias,cada sístole do meu coração, sentia-a em forma de galopes na fronte, suava gelado, não era sudorese nem mesmo hiperidrose, era o sentimento mais crônico que me corroia por dentro.
Após a finalização do turno, foi pra casa de um amigo, a passadas lentas e conversas rápidas sobre o conteúdo lecionado em aula, ele conversava comigo, mas naquele dia eu não estava sintonizado, exceto na sintonia do amor. Naquela tarde eu teria de voltar à escola, pois era dia de seminário, nem me passava pela a mente o que ocorreria naquela tarde. Depois daquela farta alimentação, saí a passos rápidos em direção à escola, aqueles dois quilômetros pareciam uma légua que se arrastavam num clima árido e o tempo voava. Chegando à escola, estava atrasado novamente, sorte era que o guarda do turno inverso não era o mesmo, dei uma risada meio amarela pela situação e subi pra sala. Parecia que estava acontecendo um Dejavi, mas em uma mesma vida, pois lá estava eu rotacionando a maçaneta e todos voltaram à atenção para mim de novo. Ao sentar na cadeira, sentia um certo clima positivo no ar, um astral dissolvido no ar, onde o nem os pulmões nem os alvéolos conseguiriam distinguir, exceto o coração. Liguei meu computador portátil que por azar estava com pouca carga e tive que desligá-lo rapidamente, para que não ocorresse perda de dados. Nesse momento um fulano grita:
- Desliga teu not véi !! Pra dá pau!!!
Eu meio nervoso com a situação, falei:
- Agora vai querer ensinar o padre rezar missa!!!
Sentei-me novamente, quando vejo aquela figura resplandeceste entrando na sala e se sentando próximo a porta, era a Vanessa, a personagem principal da minha utopia amorosa. Naquele dia a porta estava com problemas em seus pinos rotativos de apoio, dando aquele intermitente barulho de falta de lubrificação. Eu vendo que ela estava meio brava, comecei a passar várias vezes pela porta, ela começou se irritar, entretanto meu objetivo era chamar sua atenção.
Quando fomos para a quadra poliesportiva para a prática de esportes e realização de exercícios físicos, Vanessa não estava muito interessada na aula, mas como estava sendo avaliada, ela se superou! Caminhou duas voltas ao redor do campo e gritou:
- Estou cansada, não aguento mais!
Como naquele dia, suas duas melhores amigas não tinham ido à aula, por motivos extracurriculares, ela estava sentindo-se sozinha. Eu de longe apenas a observava, de forma carinhosa, buscando dentro de mim uma fugacidade àquela repressão entre eu e ela.
Na hora em que soou o alarme, para fim do turno da tarde, eu e meu amigo Luan estávamos na parada de ônibus coletivo, quando ouço aquele bip, rapidamente olho em meu celular em que dizia:
- Charles hoje não poderei ir com a Vanessa avise ela que irei me atrasar.
Era a amiga de Vanessa, que por meio de uma mensagem, dizia o motivo da sua ausência. Naquele momento, um sentimento dentro de mim estava crescendo,sendo como resultado uma euforia repentina, aquele sentimento começou a crescer como uma progressão geométrica com uma razão além dos compreendimentos humanos e nem sequer preexistentes. Peguei a mochila pela anca e sai correndo em direção ao saguao do colegio onde a Vanessa se encontrava sentada com uma de suas amigas. Voltei para a parada, de repente vejo ela saindo do colegio e como hoje nao teria a companhia de suas amigas, peguei minha mochila e fui em direçao ao semáforo, nem sequer me despedido de Luan. Nesse momento as idéias estavam organizadas em forma de probabilidade, cercado pela ambigüidade. Ao olhar para as luzes do semáforo, relacionei minha vida com Vanessa com o tal, onde eu era seria o cor indicativa verde e ela a amarela, eu sempre em busca da liberdade e ela sempre na dúvida da liberdade ou repressão, eu sempre tentando alcançá-la num mesmo lugar e instante, e ela sumindo rapidamente, e quando consigo alcançá-la, e as duas luzes estarem acesa num mesmo lugar, o tempo é tão pouco, que ninguém repara e acabamos voltando a aquela mesma sincronia, como se fossemos gato e rato. Após essa tese, eu voltei a correr, para tentar alcançar Vanessa que estava indo para casa, era tudo ou nada naquele dia. Comecei a ficar cansado, e sua presença perto de mim estava cada vez mais abstrato e impossível, quando estava quase a ponto de desistir, à avistei no horizonte da encruzilhada, meu coração naquele momento batia mais rápido do que as asas de um beija-flor colhendo néctar de uma flor. Corri em direção a ela e chamei, dizendo- a:
- Amor você não me avistou? Não ouviu
Ela disse:
- Não tinha te visto, mas o que eu iria ouvir se você não falou nada. Afirmando ela com um olhar diferente
Daí eu disse:
- Meu coração ainda não sabe falar, mas aposto que o seu saberá ouvir-lo.
Com essa, nem ela esperava, agarrei suas mãos, geladas como o orvalho de outono e disse:
- Eu te amo!
Ela me deu um beijo no rosto e disse, eu também te amo. A noite já dava sua cara naquele dia, o minuano voltava assoprar e a lua estava trocando de plantão com o sol, tenho que ir embora disse ela se despedindo. Nesse momento, fui pra a casa de Mathias, meu velho amigo. Chegando lá falei pra ele o que ele achava de fazer um texto sobre o dia de hoje. Ele topou com a idéia, daquele dia entediante começamos a fazer essa história.
FIM



